quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Inadequade

Me ocorrem pensamentos sobre a inadequação social. Às vezes me penso, como pensava quando criança, que seria uma espécie de maldição, um defeito terrível, eu não conseguir ter a tranquilidade de levar as trivialidades sociais naturalmente. Agora, no entanto, outras duas ideias me captam mais.

Uma é de que toda pessoa (ou a maior parte delas) tem seu nível de inadequação, que pode ser simuladamente superada, em variados níveis, dependendo do momento.

Outra ideia, que não é concorrente da anterior, é da graça da inadequação. A maior parte das pessoas me é estranha, e o contato não passa da superficialidade. No entanto, quando minha esquisitice social se encontra com outro ser com quem me identifico, outro ser que se encaixa em minhas peculiaridades, aí, sim, minha excentricidade se vê livre para tomar frente do contato, romper as convenções (algumas, não todas) e construir relações com a liberdade que é necessária para mim.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

As páginas de sangue se abrem

Este é um diário sanguinário.

São palavras escritas a sangue: de todo o sentimento que pulsa involuntariamente, repetidamente, bombeado para dentro e para fora, sem previsão de parada.

São palavras escritas a sangue: de toda a dor, de tudo o que é feio, que mancha tuas roupas, escorre pela tua pele e marca todo o chão por onde passa.

São palavras escritas a sangue: daquele que prepara a fecundidade do útero, que ampara os novos seres, que protege a vida a ser criada.

São palavras escritas a sangue: de tudo que nutre, interage, conecta, conversa, preenche, energiza, suporta.

Venhais e embebedais-vos do sangue!