A ciência de nossos defeitos e falhas é dolorosa. Muitas vezes os escondemos, mas temos, sempre, o impulso de os escancararmos aos ventos. Pois assim nos livramos de uma parte da culpa, que as pessoas assim nos veem e podem saber o que nos limita, e podem não nos culpar tanto.
Eu conheço vários dos meus defeitos, desconheço outros, e me preocupo sempre.
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
Sexo livre e o (não) ápice da vida
Às vezes me parece que quero que minha vida seja algum tipo de conto erótico muito elaborado, ou alguma história dessas que partem de um devaneio de uma pessoa jovem sem muita preocupação em mente.
Com um modus operandi que segue o amor livre e o sexo livre, é preciso manter a atenção para os sentimentos. É fácil se deixar levar pelos devaneios de satisfação sexual, que é uma coisa que todo mundo quer, e que (por sexo ser uma coisa restrita a tantas pessoas, muitos freiam seus impulsos sexuais de acordo com regras sociais e do superego) parece ser a libertação suprema das limitações sociais.
Você se relaciona sexualmente com várias pessoas, sem culpa, com possibilidades de encontros múltiplos. Isso parece ser o ápice da vida. Mas não é. O sexo livre só será o ápice da vida se a vida estiver em seu ápice: responsabilidade, amor, companheirismo, coração verdadeiramente aberto.
Com um modus operandi que segue o amor livre e o sexo livre, é preciso manter a atenção para os sentimentos. É fácil se deixar levar pelos devaneios de satisfação sexual, que é uma coisa que todo mundo quer, e que (por sexo ser uma coisa restrita a tantas pessoas, muitos freiam seus impulsos sexuais de acordo com regras sociais e do superego) parece ser a libertação suprema das limitações sociais.
Você se relaciona sexualmente com várias pessoas, sem culpa, com possibilidades de encontros múltiplos. Isso parece ser o ápice da vida. Mas não é. O sexo livre só será o ápice da vida se a vida estiver em seu ápice: responsabilidade, amor, companheirismo, coração verdadeiramente aberto.
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
O quanto não vale a pena protelar a escrita
Cada palavra e linha que escrevo não me sai apenas tranquila. Quase sempre me sai a duras penas, e é um recanto último de minhas loucuras. Pois, nesse vórtice incessante da vida adulta, de preocupações, frustrações, da busca pelo prazer, dos arbítrios do ego, o escrever é meu repouso certo e ainda assim tão duro. Me remoo por dias e semanas, impelindo-me a rasgar-me sobre o papel para que sossegue a amargura, para que minha sobrancelha pare de tremer, para que meu sono seja tranquilo; me remoo por dias e semanas e ainda assim custo a encontrar meu fim-sossego.
O quanto vale se preocupar as coisas outras enquanto o coração fervilha amargo?
O quanto vale se preocupar as coisas outras enquanto o coração fervilha amargo?
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
Inadequade
Me ocorrem pensamentos sobre a inadequação social. Às vezes me penso, como pensava quando criança, que seria uma espécie de maldição, um defeito terrível, eu não conseguir ter a tranquilidade de levar as trivialidades sociais naturalmente. Agora, no entanto, outras duas ideias me captam mais.
Uma é de que toda pessoa (ou a maior parte delas) tem seu nível de inadequação, que pode ser simuladamente superada, em variados níveis, dependendo do momento.
Outra ideia, que não é concorrente da anterior, é da graça da inadequação. A maior parte das pessoas me é estranha, e o contato não passa da superficialidade. No entanto, quando minha esquisitice social se encontra com outro ser com quem me identifico, outro ser que se encaixa em minhas peculiaridades, aí, sim, minha excentricidade se vê livre para tomar frente do contato, romper as convenções (algumas, não todas) e construir relações com a liberdade que é necessária para mim.
Uma é de que toda pessoa (ou a maior parte delas) tem seu nível de inadequação, que pode ser simuladamente superada, em variados níveis, dependendo do momento.
Outra ideia, que não é concorrente da anterior, é da graça da inadequação. A maior parte das pessoas me é estranha, e o contato não passa da superficialidade. No entanto, quando minha esquisitice social se encontra com outro ser com quem me identifico, outro ser que se encaixa em minhas peculiaridades, aí, sim, minha excentricidade se vê livre para tomar frente do contato, romper as convenções (algumas, não todas) e construir relações com a liberdade que é necessária para mim.
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
As páginas de sangue se abrem
Este é um diário sanguinário.
São palavras escritas a sangue: de todo o sentimento que pulsa involuntariamente, repetidamente, bombeado para dentro e para fora, sem previsão de parada.
São palavras escritas a sangue: de toda a dor, de tudo o que é feio, que mancha tuas roupas, escorre pela tua pele e marca todo o chão por onde passa.
São palavras escritas a sangue: daquele que prepara a fecundidade do útero, que ampara os novos seres, que protege a vida a ser criada.
São palavras escritas a sangue: de tudo que nutre, interage, conecta, conversa, preenche, energiza, suporta.
Venhais e embebedais-vos do sangue!
São palavras escritas a sangue: de todo o sentimento que pulsa involuntariamente, repetidamente, bombeado para dentro e para fora, sem previsão de parada.
São palavras escritas a sangue: de toda a dor, de tudo o que é feio, que mancha tuas roupas, escorre pela tua pele e marca todo o chão por onde passa.
São palavras escritas a sangue: daquele que prepara a fecundidade do útero, que ampara os novos seres, que protege a vida a ser criada.
São palavras escritas a sangue: de tudo que nutre, interage, conecta, conversa, preenche, energiza, suporta.
Venhais e embebedais-vos do sangue!
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